Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Guiné 61/74 - P27699: Parabéns a você (2456): Cap Inf Ref José Belo, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 2381 (Os Maiorais) (Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Empada, 1968/70)
Nota do editor
Último post da série de 29 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27681: Parabéns a você (2455): Luís Graça, Fundador e Editor deste Blogue, ex-Fur Mil AP Inf da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71) e Virgílio Teixeira, ex-Alf Mil SAM da CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69)
sábado, 16 de agosto de 2025
Guiné 61/74 - P27123: As nossas geografias emocionais (57): EUA, Flórida, Key West: passei à porta do José Belo, meu camarada (António Graça de Abreu, Cascais)
Agora, peregrino, vago e errante
Vendo nações, linguagens e costumes,
Céus vários, qualidades diferentes.
Luís de Camões
Alugo carro no aeroporto de Miami e avanço com o meu filho João para uma grande volta pela Florida (Foto nº 1)
Começamos pelos jacarés e crocodilos em Everglades (Foto nº 2), nós pendurados num airboat, um hidroplanador que flutua suspenso sobre os muitos canais nas zonas pantanosas e nos leva a saudar os simpáticos répteis que aparecem um pouco por todo o lado, até no meio do asfalto da estrada por onde circulamos.
- pintando a curvatura dos montes com o corpo cheio das mulheres da Catalunha, enlaçando céu e a terra;
- os olhos de Gala, a amante exuberante e elanguescente, capazes de trespassar paredes;
- uma lagosta suada está ao telefone;
- naturezas mortas renascem todos os dias no pincel de Dali;
- uma menina de caracóis perde-se nas lonjuras de Castela, meu Deus, as nádegas como dois sóis;
- a grande tela com Colombo descobrindo as américas, as velas da nau enfunadas pelo sopro de serafins e arcanjos, o pintor humildemente ajoelhado em terra segurando um crucifixo;
- depois, Cristóvão Colombo, tão jovem, levantando um pendão com a imagem da deusa que conduz os homens ao encontro de mais mundo;
- Gala ou a Virgem Maria.
Em Key West mora hoje o José Belo, ex-capitão de infantaria, militar de armas aperradas comigo nos distantes anos da nossa guerra na Guiné-Bissau, anos 1968/70.
quarta-feira, 13 de agosto de 2025
Guiné 61/74 - P27116: Felizmente ainda há verão em 2025 (16): Key West, na Flórida, EUA: é um casa portuguesa, concerteza, onde, além do pão e vinho sobre a mesa, também há cobras venenosas no quadro da electricidade... (José Belo)
1. Mensagem do Joseph Belo (Key West, Florida, EUA)
Assunto - Numa casa portuguesa fica bem pão e vinho sobre a mesa...
... Mas na solarenga Key West, na Flórida, além do pão e vinho sobre a mesa, surge cobra venenosa no quadro da electricidade.
A um veterano de destacamento isolado no Sul da Guiné dos finais dos anos sessenta só lhe faltava……isto!
Um abraço amigo do J. Belo
Último poste da série > 12 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27115: Felizmente ainda há verão em 2025 (15): Camaradas, perguntar não ofende: "Pode a CPLP vir a transformar-se em CPLB" ?... E a gente a pensar que em bom português "nois sintendi"... (António Rosinha, ex-colon, ex-retornado de Angola, ex-cooperante na Guiné-Bissau)
quinta-feira, 31 de julho de 2025
Guiné 61/74 - P27074: Felizmente ainda há verão em 2025 (4): alzheimareados com a canícula...
Há também uma crise da habitação: as "datchas" estão sobrelotadas... Logo não há férias para os antigos combatentes: a guerra acabou, estão desempregados...Mas a guerra nunca acaba para quem andou nela... É como estas paisagens jurássicas da "formação Lourinhã": são restos (violentíssimos) de outras batalhas com 163,5 milhões a 145 milhões de anos.
1.1. Mr. Joseph Belo (s/l, s/d), régulo sempiterno da Tabanca da Lapónia (a tal que é de um homem só, e que agora corre o risco, por abandono do posto de sentinela, de ir parar ás mãos dos "ocupas", com a crise da habitação que também já chegou àquelas bandas).
“Alguns papagaios julgam-se em pleno Amazonas quando o dono lhes coloca um ramo de salsa nas grades da gaiola “.
Tudo mais não terá (neste tipo de pósteres de Verão) que a levíssima , e fresca, importância que lhes damos. (...)
1.2. Há quem se tenha preocupado, ultimamente, com o estado de saúde mental do blogue, de quem o faz, de quem o (e)dita, e até de quem o lê... Alguém insinuou que quem o (e)dita, podia andar, com este calor todo, já meio "alzheimareado".
Isso sugere que o vocábulo surgiu em contexto informal e comunitário — especificamente num blogue sobre memórias da Guiné, onde se listam termos depreciativos de forma metafórica: “protésico, radioativo, parkinsónico e alzheimareado” blogueforanadaevaotres.blogspot.com.
Não foi possível encontrar outras ocorrências em plataformas públicas, como dicionários ou redes sociais, o que indica que o termo ainda é muito raro e não difundido. (...)
Último poste da série > 30 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27072: Felizmente ainda há verão em 2025 (3): recordando o meu esforçado, voluntarioso, amável , efémero e... clandestino professor de pilotagem do DO-27, o "Pombinho", que veio expressamente do Brasil para assistir ao lançamento do nosso livro "Nós, as enfermeiras paraquedistas", em 26/11/2014, no Estado Maior da Força Aérea, em Alfragide (Maria Arminda Santos, Setúbal)
segunda-feira, 28 de julho de 2025
Guiné 61/74 - P27061: Felizmente ainda há verão em 2025 (1): "Depois dos oitenta deixei de contar anos, agora conto unicamente... Verões" (José Belo, Suécia e EUA)

1. Mensagem do Joseph Belo, o nosso (e)terno régulo da Tabanca da Lapónia.
Data - domingo, 27/07/2025, 12:47
Assunto - Os Verões
Pensador e filósofo do Sul dos States escreveu:
“Depois dos oitenta deixei de contar anos, conto agora unicamente……Verões!”
Votos de mais um bom Verão.
Abraço do J.Belo
terça-feira, 10 de junho de 2025
Guiné 61/74 - P26906: (In)citações (273): Envelhecer... com dignidade ?!? (Joseph Belo, José para os "tugas")

1. Mensagem de Mr. Joseph Belo (José para os "tugas") que, tem como Deus, o dom da ubiquidade (a par da arte da camuflagem), conseguindo estar ao mesmo tempo pelo menos em 3 ou até mais sítios (Lapónia / Suécia, Estocolmo / Suécia, Key West / Florida / USA, Tabanca Grande...).
Data - sábado, 7/06, 11:57 (há 3 dias)
Logicamente o blogue sofre os inexoráveis “atritos” relacionados com a passagem das já muitas décadas.
O envelhecimento dos participantes, a somar-se a uma diminuição da popularidade dos blogues em geral (e a queda em convenientes “evitar balançar o barco” ) poderá levar a uma diminuição de “militância”.
A aparente incapacidade de muitos de, por saudáveis minutos, não levarem as opiniões próprias (ou alheias) demasiado “a sério", acabará por contribuir para alguns dos afastamentos.
Os já quase cinquenta anos de afastamento das realidades portuguesas do dia a dia talvez acabem por contribuir para uma mais “desinibida apreciação”, seja ela desde Key West/Florida ou do extremo norte sueco.
Zés, Josés, Zé Teixeira, Zé Belo: andamos a blogar há mais de 20 anos (desde 2004, ano que praticamente não conta, publicámos "apenas" 4 postes")...
Ao fim de 20 anos, há naturalmente um "cansaço bloguístico"... Já fizemos pelo menos 10 "comissões na Guiné", cada uma de 2 anos... Não há "tuga" nem "turra" que aguente!...
O Zé Belo, distante, enigmático, lapónico..., interpelou-nos, mais um vez com uma questão existencial: "Será possível regressar de onde nunca se chegou para o que já não existe?"...
Como mexeu a leitura, a primeira que fiz hoje (e só hoje!, às 7 da manhã), da reflexão, pungente, do Zé Teixeira:
Zé Teixeira, está lá tudo. De facto, a guerra nunca acaba, fica connosco. Nenhum de nós faria melhor. E arrematas com um sorriso e uma nota de esperança e de fé, reveladores da tua grandeza humana... Por outras palavras, e parafraseando o Pablo Neruda, disseste o que é importante: "Confesso que vivi"...(Horrível, ou pelo menos "chato", é chegar à porta do São Pedro, de mãos vazias, sem nada para negociar...).
C/ um alfabravo fraterno, Luís
terça-feira, 3 de junho de 2025
Guiné 61/74 - P26876: Questões politicamente (in)corretas (60): Afinal o "tuga" também jogava xadrez no CTIG (José Belo /António Graça de Abreu / Carlos Vinhal / José Botelho Colaço / Ernestino Caniço / Eduardo Estrela)
Guiné > Bolama > CIM - Centro de Instrução Militar > 1969 > CCAÇ 2592 (futura CCAÇ 14) > O fur mil Eduardo Estrela a jogar zadrez com o seu camarada Abel Loureiro.
Mensagem do Eduardo Estrela, a propósito do poste P26873 (*):
Data - 2 jun 2025 10:32;
Bom dia, Luís!
Nós também jogávamos xadrez.
Como prova anexo uma fotografia tirada ainda em Bolama. À esquerda estou eu e na direita o Abel Loureiro que foi Fur Mil na minha companhia.
Para além da lerpa, abafa e outros que tais, também se jogava xadrez.
A qualidade da fotografia não é a melhor, mas sei que vais conseguir melhorar a mesma.
Grande abraço
Eduardo Estrela
Foto (e legenda): © Eduardo Estrela (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Suécia > Estocolmo >7 de maio de 2017 > Jogando xadrez (em grande formato) no Kungsträdgården" (o "Jardim do Rei"), parque muito conhecido e central em Estocolmo.
Foto: © Tommy Gerhad (2017) (com a devida vénia...)
Em Cufar, 73/74, joguei muitas vezes xadrez com o alferes Eiriz, o oficial das Transmissões no nosso CAOP 1. Normalmente era depois do jantar, na nossa pequeníssima messe de oficiais, ao lado do gabinete do capitão miliciano Dias da Silva, comandante da CCaç 4740.
Logo ao lado tínhamos as valas para onde mergulhávamos em caso de ataque do PAIGC. No meu caso, naquela maravilhosa colónia de férias, Cufar sur Cumbijã, aconteceu quatro vezes. Não nos deixavam jogar xadrez em paz.
António Graça de Abreu
segunda-feira, 2 de junho de 2025 às 13:10:11 WEST
(ii) Carlos Vinhal
Não me lembro de na nossa messe se jogar xadrez, os jogos mais vulgares eram as damas, a lerpa, o king e o rummy, este muito parecido com o bridge, ao que sei. Os mais solitários jogavam paciências de cartas. Tínhamos também uma mesa de ténis para destilar as gorduras (?).
Cá fora jogava-se a bola no campo de futebol ou contra as paredes dos dormitórios, onde havia alguém a centrar a bola e outros a cabeceá-la, conforme a habilidade que tinham, para uma baliza imaginária, onde estava um guarda-redes de ocasião.
Eu nunca fui grande jogador de cartas, mas uma noite aventurei-me a jogar lerpa. Ao fim de pouco tempo tinha já perdido 100 "paus". O 1.º Rita chegou-se a mim e disse-me: "Vinhal. deixe-me ocupar o seu lugar".
Ao fim de algum tempo, tinha ele ganho já uma boa maquia, levantou-se e discretamente deu-me os 100 pesos que havia perdido. Aceitei o dinheiro e a lição e, nunca mais na minha vida joguei cartas a dinheiro.
segunda-feira, 2 de junho de 2025 às 13:57:25 WEST
(iii) José Botelho Colaço
No Cachil, CCAÇ 557, havia quem jogasse Damas: ganhar um jogo ao capitão Ares era caso raro. Mas como diz o camarada Graça Abreu, também no Cachil por vezes o jogo era interrompido pelo som das costureirinhas do PAIGC a quererem entrar: Não no jogo; mas sim no aquartelamento.
segunda-feira, 2 de junho de 2025 às 14:04:44 WEST
(iv) Ernestino Caniço
Ernestino Caniço
segunda-feira, 2 de junho de 2025 às 17:10:16 WEST
(v) Eduardo Estrela
Eduardo Estrela
segunda-feira, 2 de junho de 2025 às 19:17:30 WEST
(*) Vd. poste de 2 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26873: Questões politicamente (in)corretas (59): Porque é que os "turras" jogavam xadrez e os "tugas" não ? (José Belo, Suécia)
segunda-feira, 2 de junho de 2025
Guiné 61/74 - P26873: Questões politicamente (in)corretas (59): Porque é que os "turras" jogavam xadrez e os "tugas" não ? (José Belo, Suécia)
Fonte: Casa Comum | Instituição:Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 05222.000.141 | Título: Júlio de Carvalho, Tchifon, Cláudio Duarte e Valdemar Lopes | Assunto: Os combatentes cabo-verdianos Júlio de Carvalho [Julinho], Tchifon, Cláudio Duarte e Valdemar Lopes [da Silva] jogando xadrez numa base do PAIGC | Data: 1963 - 1973 | Observações: Valdemar Lopes da Silva foi professor no Centro de Instrução Política e Militar (CIPM) do PAIGC, a partir de 1970 | Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral | Tipo Documental: Fotografias
Citação:
(1963-1973), "Júlio de Carvalho, Tchifon, Cláudio Duarte e Valdemar Lopes", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43496 (2025-5-31)
(Reproduzido com a devida vénia...)
1. Comentário do José Belo, o (e)terno régulo da Tabanca da Lapónia de Um Homem Só (oficial do exército dos "tugas", e jurista na Suécia, reformado):
Data - domingo, 1/06/ 2025, 23:02
Caro Luis
A caixa da fotografia é de facto uma caixa de xadrez de marca muito conhecida na Suécia.
Eram muitos, e diversos, os fornecimentos efectuados pela Suécia ao PAIGC.
Curiosamente, em talvez milhares de fotografias dos Camaradas da Guiné por nós observadas, não existe uma única com um tabuleiro de xadrez.
Matraquilhos, póquer de dados, damas, lerpa, e talvez uma pseudossofisticada partida de bridge no Clube Milar de Santa Luzia em Bissau ou … em resguardados Comandos de Batalhão.
_______________
(*) Vd. poste de 1 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26871: Recordações de um furriel miliciano amanuense (Chefia dos Serviços de Intendência, QG/CTIG, Bissau, 1973/74) (Carlos Filipe Gonçalves, Mindelo) - Parte VI: o pesadelo do tenente-coronel: as batatas e o frango congelado!...
(**) Último poste da série > 8 de agosto de 2023 > Guiné 61/74 - P24539: Questões politicamente (in)correctas (58): Ainda a própósito do eventual recurso ao "trabalho forçado" (teoricamente abolido em 1961, por Adriano Moreira) (Cherno Baldé)
sexta-feira, 18 de abril de 2025
Guiné 61/74 - P26702: Boas amêndoas e melhores Páscoas de 2025 - Parte I (José Belo, Key West, Florida, EUA / Luís Graça, Tabanca de Candoz)

1. Mensagem de Joseph Belo (Key West, Florida, EUA)
Data - 18 abr 2025 16:30
Um abraço de despedida do J. Belo.
2. Comentário do editor LG:
quarta-feira, 19 de março de 2025
Guiné 61/74 - P26597: Manuscrito(s) (Luís Graça) (267): No dia do pai... Aos nossos pais, nossos velhos, nossos camaradas... a quem nunca tratámos por tu
Legenda de João Burgo Correia Tavares: vd. livro Norberto Tavares de Carvalho - "De campo a campo: conversas com o comandante Bobo Keita", Porto, edição de autor, 2011, p. 4
Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > Ângelo Ferreira de Sousa (1921-2001), pai do nosso camarada Hélder Sousa, natural de Vale da Pinta, Cartaxo, ex-1º Cabo n.º 816/42/5, da 4ª Companhia do 1º Batalhão de Infantaria do RI. 23... Tem a data de 18 de Outubro de 1943 e na legenda refere ser "recordação de S. Vicente" Foto (e legenda): © Hélder Sousa (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
entretanto entronizada como nossa tabanqueira,
a quem, chegada da austera e luterana Germânia,
lhe impuseram o tratamento por tu,
como se fora uma praxe de gangue.
Depois desta receção da Tabanca Grande,
ela deve ter ficado confusa, quiçá perturbada e até intimidada,
ao pensar que os camaradas da Guiné,
a quem saltou a caixa dos pirolitos...
(diria ela se fosse uma altiva castelhana,
daquelas que vinham casar com príncipes portugueses,
na mira de acertar em cheio no jackpot)...
nunca trataste nenhuma colega ou amiga alemã por fräulein...
Podes a estar a ser injusto, mas tem, para ti,
Como teria se tu a tratasses por menina Tina Kramer,
como nos bons velhos tempos do Portugal dos nossos pais e avós
Ao menos, tratemo-la, não por miss (cheira-te a babydoll)
mas por bajuda,
que é mais doce, mais crioulo, mais luso-tropical…
E tu Zé Belo, luso-lapão, agora "amaricano",
tuga da diáspora outrora na terra
bem sabes que não foi preciso fazermos uma revolução
à moda dos sovietes de Petrogrado,
nem do Grande Irmão Urso Sueco,
nem dos Camaradas (salvo seja!) do PAIGC, do MPLA ou da FRELIMO...
(Lembram-se das milhares de anedotas
que se contavam do camarada, salvo seja!, Machel,
e da sua mania de reeducar e recuperar o diabo branco colonialista
com o trabalho manual na machamba?!)...
Com o 25 de Abril,
a distância social e afetiva,
a começar na família, entre pais e filhos,
foi encurtada,
e o tratamento por tu impôs-se sem ser por decreto...
que a gente nem sequer se questiona hoje
sobre o quando, o como e o porquê...
(Alguns questionam-se, e têm toda a liberdade para o fazer,
(ou nem sequer foi interrompido)
o tratamento, tradicional,
aparentemente mais distante e formal, de você,
de pais para filhos,
de esposa para esposo,
em certas famílias,
em certos meios sociais
(que tu não vais adjectivar,
porque não gostas de adjetivar os outros,
e fazes um esforço por respeitar todas as diferenças,
é um pano, de trapos, de linho, de algodão, de serapilheira, de seda,
que se puxa conforme o frio, as pernas e as mãos,
as chagas, as misérias e as grandezas de cada um…
Os nossos filhos, pelo menos os teus, tratam-nos por tu,
mas tu tratavas os teus pais à moda antiga...
Há algum mal nisso,
São apenas mudanças de paradigma
na convivialidade sociofamiliar,
diria o sociólogo de serviço, que já não há,
descartado pela mãe de todas as crises...
o Armando Lopes (1920-2018),
veteranos da II Guerra Mundial,
expedicionários em Cabo Verde,
com a ternura da expressão
“Meu pai, meu velho, meu camarada”…
Liberdades ou libertinagens bloguísticas,
Daqui a uns anos
(esperas bem que não, cruzes canhoto!...)
voltaremos a tratar-nos com distância e reverência,
quiçá por Vossa Senhoria,
meu fidalgo, meu amo,
como no tempo da(s) outra(s) senhora(s)…
republicano, económico, frugal, com duas letrinhas apenas,
o tratamento à romana na Tabanca Grande,
nem sempre era fácil nem natural, em 2004/2005,
em que se continuava a usar e a abusar dos títulos,
nomeadamente no Estado, nas empresas e demais organizações,
onde o trabalho era pouco e a distância grande,
tão grande como a rede clientelar:
senhor presidente, senhor doutor, senhor engenheiro, senhor prior...
Nunca foi nem o é ainda hoje:
tiveste a prova disso, há uns anos atrás,
do almoço semanal da Tabanca de Matosinhos,
Boa parte, já teus velhos conhecidos e amigos...
mas ainda havia gente que se retraía,
invocando a educação que tiveram,
o desconhecimento do outro,
a falta de intimidade e de convívio,
a distância física (sempre são 300 km entre Lisboa,
a capital do reino,
onde o Paço tem Terreiro,
e o Porto é a capital do trabalho,
onde o povo tem o São João e o alho porro)...
Quando impuseste (passe o termo...)
o tratamento por tu no blogue,
entre camaradas da Guiné,
quiseste deliberadamente fazer o curto-circuito
entre as distâncias militares, hierárquicas, do passado
e as eventuais distâncias sociais e profissionais, do presente...
Hoje consideras uma honra poder ser tratado por tu
por um camarada da Guiné,
independentemente do antigo posto,
da idade, da naturalidade, da nacionalidade, da cor da pele,
ou da atual posição na sociedade portuguesa...
E vice versa:
consideras um privilégio poder tratar por tu
um homem ou uma mulher
que aceitam os valores e as regras do jogo do nosso blogue...
Há sobretudo uma cumplicidade (saudável) entre nós,
que não seria possível se aqui, no blogue
e nos convívios da Tabanca Grande,
e das demais tabancas que entretanto foram aparecendo,
se a gente continuasse a tratar-se
"Como vai, senhor Doutor ?...
"Vossa Excelência, senhor engenheiro,
permite-me que eu discorde da sua douta opinião ?
"O meu furriel é que sabe,
mas o vagomestre é que dormia com a mulher… do Baldé
quando o Baldé ia para a Ponte do Rio Udunduma...
"E, você, nosso instruendo, ó sua besta quadrada,
não sabe que a Pátria é hermafrodita,
é pai e mãe ?
"Ó meu tenente,
Para que o tu continue a escrever-se com duas letrinhas apenas,
o tu de pai, de tuga, portuga, irmão, cidadão…
O tu do abraço, do alfabravo, do quebra-costelas,
o tu de Tango Uniform...
e não se torne o tu
de intumescência, da tumefacção,
nestes dias de Charlie Romeo India Sierra Echo,
da CRISE que continua dentro de momentos...
© Luís Graça (2012). (**)
(*) Último poste da série > 2 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26542: Manuscrito(s) (Luís Graça) (266): Olhó Robô!...Concurso: um soneto escrito pela IA, a pedido do avô...em homenagem à Rosinha
(**) Vd. poste de quarta-feira, 21 de março de 2012 > Guiné 63/74 - P9632: Blogpoesia (184): O tuteio ou o tratamento por tu, entre os camaradas da Guiné... (No Dia Mundial da Poesia... e da Água) (Luís Graça)



























